A Polícia Federal deflagrou, em 24 de setembro de 2026, a Operação Pecus Exploratio para investigar suspeitas relacionadas a incêndios, grilagem de terras da União e falsidade documental no Pantanal sul-mato-grossense. A ação alcançou cinco endereços: dois em Corumbá, dois em Campo Grande e um no Rio de Janeiro.
De acordo com a Polícia Federal, os mandados de busca e apreensão foram autorizados pela Justiça Federal em Corumbá. Documentos e aparelhos celulares foram recolhidos durante o cumprimento das ordens e deverão passar por análise para esclarecer a relação entre os investigados e verificar a eventual participação de outras pessoas.
O que a investigação apura
A apuração começou depois que diligências identificaram a propagação de queimadas na região. Uma perícia apontou que mais de 4 mil hectares de uma fazenda investigada foram atingidos pelo fogo. Conforme os dados divulgados pela PF, o dano ambiental estimado é de aproximadamente R$ 140 milhões.
O caso também envolve a suspeita de ocupação ou apropriação irregular de terras pertencentes à União, além do possível uso de documentos falsos para dar aparência de regularidade a situações investigadas. A operação busca reunir elementos materiais que permitam esclarecer como os incêndios ocorreram e se houve conexão entre a destruição ambiental, a ocupação da área e a documentação analisada.
As medidas realizadas nesta etapa não representam uma conclusão definitiva sobre a responsabilidade dos alvos. A investigação permanece em andamento, e os materiais apreendidos ainda serão examinados pela Polícia Federal. Eventuais acusações dependerão da confirmação dos fatos e da avaliação das provas pelas autoridades competentes.
Medidas sobre gado e patrimônio
Além das buscas, a Justiça Federal em Corumbá determinou a indisponibilidade do gado existente na propriedade investigada. A decisão também prevê o sequestro de aproximadamente R$ 6 milhões em valores vinculados aos investigados, como forma de preservar recursos que possam estar relacionados aos fatos apurados.
A indisponibilidade impede, neste momento, a livre movimentação dos bens alcançados pela decisão judicial. Já o sequestro patrimonial tem caráter cautelar e deverá ser avaliado no decorrer do processo. Essas medidas não significam, por si só, condenação ou reconhecimento definitivo de crime, mas procuram evitar a dispersão de patrimônio enquanto a investigação reúne novas informações.
Calor e risco de incêndios em Corumbá
O município enfrenta condições que podem favorecer a propagação rápida do fogo durante períodos de estiagem e calor intenso. Em 28 de setembro de 2026, a Defesa Civil de Corumbá informou que a cidade registrou temperatura máxima de 43,2 °C, enquanto uma área do Pantanal do Paiaguás chegou a 42,8 °C.
O órgão municipal alertou que a combinação entre temperaturas elevadas, baixa umidade do ar, vegetação seca, ausência de chuva e ventos aumenta o risco de propagação de incêndios. O registro foi feito quatro dias após a operação policial, servindo como contexto para a vulnerabilidade ambiental enfrentada pelo município, mas não estabelece relação direta entre as condições meteorológicas e o fogo investigado pela PF.
O Instituto Nacional de Meteorologia também confirmou temperaturas acima de 40 °C em diferentes estados durante o período, incluindo o registro de 43,2 °C em Corumbá. A informação reforça o cenário de calor extremo observado no fim de setembro, sem substituir a perícia e os demais elementos que serão usados para esclarecer as causas dos incêndios.
Próximos passos
Com a apreensão de documentos e celulares, a Polícia Federal deverá concentrar a próxima fase da apuração na análise do conteúdo desses materiais, na reconstrução da cadeia documental da propriedade e na identificação de possíveis vínculos entre os investigados. A investigação também poderá verificar a extensão dos danos e a eventual existência de outros envolvidos.
Por enquanto, os dados oficiais divulgados indicam uma investigação sobre incêndios, terras da União e falsidade documental em uma área do Pantanal de Corumbá. A confirmação de responsabilidades dependerá do avanço das diligências, dos laudos e das decisões judiciais que forem tomadas ao longo do caso.
