Guilherme Campos, empresário e investidor do setor do agro, observa que, para muita gente do campo, o Cadastro Ambiental Rural ainda é visto como um cadastro burocrático, daqueles que se resolvem “quando der tempo” e não afetam o dia a dia da produção. Ele alerta que essa visão está prestes a ficar bem mais cara para quem mantiver esse pensamento em 2026.
A partir deste ano, o CAR deixou de ser apenas um registro informativo e passou a condicionar diretamente o acesso ao crédito rural, o combustível financeiro de boa parte da produção agropecuária do país, sobretudo em estados que ainda estão em fase de expansão da fronteira agrícola, com muitas propriedades regularizadas apenas parcialmente.
A ideia de que o CAR é só um cadastro burocrático
Por anos, o CAR funcionou mais como uma exigência formal do que como um filtro efetivo para operações financeiras. Muitos produtores se inscreveram, deixaram pendências de análise em aberto e seguiram operando normalmente, sem sentir qualquer impacto direto na rotina do negócio, ainda que o cadastro nunca tivesse sido validado por completo pelos órgãos responsáveis.
Essa realidade começou a mudar com regras recentes que atrelam a regularidade ambiental do imóvel diretamente à liberação de financiamento, tirando o CAR do campo da formalidade e colocando-o no centro da análise de crédito, junto com garantias e capacidade de pagamento do produtor.
O que muda em 2026?
Uma resolução do Conselho Monetário Nacional passou a exigir regularidade ambiental como condição para o acesso ao crédito rural em 2026, com checagem cruzada entre dados do Banco Central, do Ibama e de órgãos estaduais de meio ambiente. A exigência entra em vigor de forma escalonada: primeiro para propriedades maiores, depois para as menores, num intervalo de pouco mais de um ano entre uma etapa e outra do calendário.
Guilherme Campos aponta que essa mudança transforma qualquer inconsistência no CAR, como sobreposição de áreas ou pendência de análise, em motivo concreto para negativa de crédito, algo que antes dificilmente travava uma operação financeira, mesmo com o cadastro incompleto ou desatualizado.
Por que isso pesa mais para quem já expandiu a produção?
Propriedades maiores, com mais de quatro módulos fiscais, entram primeiro na regra mais rígida, o que inclui boa parte dos empreendimentos agropecuários de maior porte na região amazônica, onde o módulo fiscal costuma corresponder a áreas relativamente extensas. Guilherme Campos elucida que são justamente esses produtores que costumam depender mais de crédito para financiar safra, maquinário e expansão de área produtiva.
Uma pendência antiga no cadastro, muitas vezes esquecida desde o preenchimento inicial, pode aparecer agora como obstáculo direto para renovar ou ampliar uma linha de financiamento já usada há anos sem problema, justamente no momento em que o produtor mais precisa do capital para tocar a próxima etapa do negócio.
O que fazer antes do prazo apertar?
Revisar o CAR não é mais uma tarefa que pode esperar o próximo ciclo de planejamento. Conferir se a Reserva Legal e as áreas de preservação estão corretamente demarcadas, e corrigir eventuais sobreposições com propriedades vizinhas ou com áreas de proteção, evita a surpresa de uma negativa de crédito no meio de uma safra, quando já não há tempo para regularizar nada.
Para Guilherme Campos, produtores que tratarem essa regularização como parte da gestão do negócio, e não como formalidade isolada, vão sair na frente justamente no momento em que o crédito rural passa a depender diretamente disso, tanto para financiar a próxima safra quanto para sustentar planos de expansão de médio prazo. Quem quiser acompanhar mais sobre produção sustentável e desenvolvimento do agro na região pode seguir o perfil @guicamposvlg no Instagram.
